Comentário – Módulo 1

Da minha experiência profissional de cerca de 15 anos a trabalhar com alunos com NEE parece-me que as barreiras continuam a existir, não tendo havido uma evolução positiva.

A escola inclusiva não passa de uma utopia; as ideias são boas, mas falta ainda um grande caminho até serem postas em prática e receio estarmos a retroceder. A falta de recursos humanos e materiais contribui para o agravamento da situação, mas a maior e mais difícil de transpor são as barreiras humanas: atitudes, comportamentos, mentalidades, hipocrisia…

Há falta de formação de professores, funcionários e população em geral (continuam a existir professores que desconhecem o Decreto-lei 3/2008). Os alunos com NEE continuam a ser discriminados por alguns .

E o mais grave é  que se está a fazer muito pouco para alterar esta situação. Nós, professores somos “bombardeados” com burocracias, papéis, formulários, grelhas, estatísticas, impressos,… ficando sem tempo livre para trabalhar com os alunos. Os técnicos são cada vez menos; o plafond disponível para tirar fotocópias esgota-se na primeira semana de aulas; não se fazem visitas de estudo nem atividades …

O conceito de deficiência deve ter variado com o tempo e ao longo dos séculos, ele foi-se modificando. Na Grécia Antiga a criança que nascia com alguma deficiência era encaminhada a um conselho que decidia se ela deveria viver ou morrer. Os estudos apontam que, na Roma Antiga, as crianças que apresentavam alguma deficiência ou malformação eram jogadas nas margens do rio Tigre. Contudo, no comando de Roma, estiveram imperadores como Galba, que apresentava malformação nas mãos e nos pés, e Othon, com deformação nas pernas. No comando da Grécia estiveram imperadores como Homero, que era cego, e Alexandre o Grande, com epilepsia.

Há uma evolução histórica das atitudes em relação aos deficientes. Deve-se registrar que, na época da Segunda Guerra Mundial, liderada por Hitler, as pessoas com deficiência também foram eliminadas e/ou esterilizadas, em nome da política da raça ariana pura.

Verifica-se que o conceito de doença e incapacidade associada ao conceito de deficiência tem variado ao longo dos séculos. Revela-se, contudo, que o conceito de deficiência vem sendo formulado a partir de um referencial de normalidade, que resulta em segregação e na inaceitação da deficiência. Sabemos que a feiura de Sócrates era conhecida do povo grego na mesma proporção que sua inteligência. Como um conceito culturalmente formado, o conceito de deficiência atende expectativas pré-formadas de acordo com os costumes e a época. Engloba termos como incapacidade, dependência, redução, limitação, impossibilidade, entre outros. Mas, nem mesmo entre os considerados normais há uma unanimidade entre norma e patologia. Chama-se atenção para o fato de que ainda não se conseguiu especificar quais são os atributos que definem a maioria dos conceitos. Portanto, como explicar a formação do conceito de deficiência associado a uma conceção de doença e incapacidade ao nos depararmos com Beethoven surdo compondo a Nona Sinfonia?

No final do século XX, em razão da defesa pelos Direitos Humanos, um novo conceito foi introduzido aos grupos considerados diferentes – pessoas com necessidades educacionais especiais. O conceito de necessidades educacionais especiais é um conceito-chave que agrega outros conceitos como o de dificuldade de aprendizagem e o de medidas educativas especiais.

Ainda nessa linha de pensamento, o conceito de deficiência demanda adaptações de currículo e criação de serviços complementares na escola. Na Declaração de Salamanca (1994), o conceito de deficiência diz respeito a crianças e jovens cujas carências ou dificuldades se situam no âmbito escolar. Sejam crianças ou jovens com deficiências ou superdotadas, em situação de rua, trabalhadoras, de populações remotas ou nómadas, de minorias linguísticas, culturais e de grupos desfavoráveis ou marginais.

A Educação Inclusiva, hoje amparada e fomentada pela legislação em vigor, e determinante das políticas públicas educacionais, coloca ênfase na falha do meio em proporcionar condições adequadas para promover a aprendizagem do indivíduo com necessidade educacional especial. Conclui-se que no âmbito pedagógico, o conceito de deficiência não pode ser definido a partir das noções de incapacidade, redução, limitação e impossibilidade. Implica em uma nova postura da escola ao propor no currículo, na metodologia, na avaliação e nas estratégias de ensino ações que favoreçam a inclusão social e práticas educativas diferenciadas que atendam a todos os alunos.

Por herança histórica e por cultura social a conceção de deficiência, que segrega e exclui, reflete ações educacionais restritas e com estreita visão do que representa uma educação para todos. Essa conceção, na perspetiva da evolução socio-histórica do conceito de deficiência exerceu impacto na história da educação especial, apresentando como resultado práticas educacionais empobrecidas, que enfatizam as dificuldades relacionadas com a deficiência, em contraponto com a dimensão do processo de ensino e aprendizagem na escola.

Apesar dos obstáculos, a expansão do movimento da inclusão, em direção a uma reforma educacional mais ampla, é um sinal visível de que a escola e a sociedade vão continuar caminhando rumo a práticas cada vez mais inclusivas e distanciadas do conceito de deficiência que segrega e exclui.

Detenho-me agora na particularidade da deficiência auditiva. A evolução socio-histórica e cultural do conceito de deficiência auditiva fundamenta-se mais na descrição das dificuldades geradas pela diminuição da audição e suas consequências para a organização do processo pedagógico. Nos aspetos relacionados com a organização do processo pedagógico, convém apontar que, como filosofia educacional para ensino de surdos, o oralismo perdurou por mais de um século, tendo como pressuposto a proibição do uso de sinais no processo de ensino e aprendizagem. Na conceção que busca entender o surdo como inscrito em uma comunidade com identidade e língua própria – contrapondo-se a conceção de deficiência que marginaliza o sujeito – é imprescindível compreender a linguagem do surdo.

.A comunicação entre os professores, os especialistas, a família e os alunos com necessidades educacionais especiais é frequentemente insuficiente para facilitar o desenvolvimento e a implementação de ações educativas apropriadas a esta parcela de alunos. A responsabilidade pelo desenvolvimento de planeamentos inclusivos deve ser partilhada pelos professores, pelas famílias e pelos alunos a que se destinam.

 


 

Comentário – Módulo 2

 

A minha experiência profissional tem permitido observar a crescente utilização das tecnologias de apoio no trabalho diário dos alunos com NEE. É surpreendente com alunos que não conseguem ler nem escrever, utilizam o computador e a internet para realizar trabalhos, efetuar pesquisas, diluindo assim as suas limitações com a utilização de software adequado.

As TIC constituem um meio facilitador do sucesso escolar, atenuando algumas limitações, mas é fundamental que o aluno seja orientado na devida altura para a utilização de meios específicos.

Nalguns casos as TIC constituem a única alternativa para pessoas com deficiências graves interagirem com o meio e poderem aceder à educação.

 

Comentário Módulo 3

 

Os resultados do questionário VARK

A minha pontuação no questionário VARK foi: Visual: 7; Aural: 1, Leitura / Gravação: 4; Cinestésico: 4. Significa que tenho preferência pela aprendizagem suave.

sistema VARK avalia quatro modalidades de aprendizagem — visual, auditiva, leitura/escrita e cinestésicas — em alunos. Ele permite que o entrevistado identifique seu modo dominante de aprendizagem. Como a maioria das situações de aprendizagem requer o uso de mais de uma modalidade, também fornece uma avaliação de como o entrevistado aplica as quatro modalidades de aprendizagem em atividades para este fim. O VARK pode aplicado na sala de aula ou em treinos específicos.


 

Comentário Módulo 4

Uma das competências do professor e em particular do professor de educação especial é reconhecer e identificar materiais pedagógicos e materiais didáticos facilitadores da aprendizagem como alternativas para se atingir o mesmo objetivo proposto para sala do ensino regular, tendo em conta os limites impostos pela deficiência. Implica conhecer recursos de acessibilidade e dominar ferramentas digitais que permitam superar as barreiras existentes.

A diversidade de recursos educativos abertos em formato livre e acessível são uma oportunidade de acesso ao ensino para todos, sobretudo numa época em que o tempo e o dinheiro são limitados e pouco flexíveis.

A possibilidade de todos podermos criar, publicar e ser utilizado por outros, permite melhorar e aumentar o saber e responder às necessidades específicas de cada aluno, diminuindo as barreiras existentes e proporcionando novas experiências.

Como professora de educação especial vou passar a utilizar novas ferramentas que desconhecia e recorrer mais a espaços virtuais para partilha de conhecimentos e aquisição de novas competências.

O crescimento da licença Creative Commons (licença aberta para o espaço na internet que permite partilhar e reutilizar materiais licenciados) é uma mais valia para o acesso global aos recursos e um avanço na implementação e incentivo à disponibilização grátis de materiais de aprendizagem.


 

– Seleção de um dos trabalhos dos  pares

Comentário ao trabalho do Módulo 4 : PowToon sobre Dislexia: propostas para pais e professores realizado por Susana Cruz

É uma tema muito interessante e atual; a escola da aplicação Powtoon permitiu tornar o tema ainda mais apelativo.

Saliento como menos positivo não conseguir ler todas as páginas, pois algumas passam demasiado rápido para serem lidas.

 

 

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